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O domínio chinês na IFA 2026: quase metade dos expositores já é da China, e as marcas tradicionais estão mudando de estratégia

A IFA 2026, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, terminou nesta terça-feira em Berlim depois de cinco dias reunindo mais de 1.900 empresas de 49 países e mais de 220 mil visitantes. Só que, dessa vez, uma coisa chamou atenção antes mesmo de qualquer produto específico: a quantidade de empresas chinesas espalhadas pela feira.

O tamanho do domínio chinês na IFA 2026

Em 2025, cerca de 700 empresas chinesas participaram da IFA. Em 2026, esse número chegou a 932, o equivalente a aproximadamente 49% de todos os expositores da feira. Foi um salto de cerca de 35% em apenas um ano e a maior participação chinesa da história da IFA.

É muita coisa.

Na prática, significa que quase uma em cada duas empresas presentes na IFA veio da China.

E não estamos falando apenas de marcas pequenas tentando encontrar espaço na Europa. TCL, Hisense, Haier, Midea, Xiaomi e várias outras empresas chinesas ocuparam áreas importantes da feira. A Xiaomi, por exemplo, fez sua estreia oficial na IFA com um espaço de mais de 3.000 m² e levou mais de 380 produtos para Berlim.

Isso mostra uma mudança que já vinha acontecendo há algum tempo: as empresas chinesas deixaram de disputar apenas pelo preço e passaram a aparecer com força em televisores, celulares, eletrodomésticos, robôs, inteligência artificial e casas conectadas.

Mas existe outro fator que ajuda a entender por que esse crescimento chama tanta atenção.

Por que a presença chinesa na IFA 2026 chama tanta atenção

Em 28 de julho, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) colocou dispositivos robóticos avançados produzidos no exterior em sua Covered List. A medida dificulta a entrada de novos equipamentos desse tipo no mercado americano porque eles passam a não conseguir a autorização necessária para serem comercializados nos EUA.

A regra chamou atenção especialmente no mercado de robôs domésticos porque pode atingir robôs aspiradores. Marcas como Roborock, Ecovacs, Dreame, Xiaomi e Narwal estão entre as empresas chinesas mais expostas à mudança. Juntas, elas representaram 68% do mercado mundial de robôs aspiradores em 2025, segundo dados da IDC citados pelo South China Morning Post.

E aqui entra uma coisa interessante.

Não dá para afirmar que essas empresas simplesmente “abandonaram os Estados Unidos e foram para a Europa” por causa da decisão americana. Isso seria ir além do que os dados mostram.

Mas é difícil ignorar que a Europa ganhou ainda mais importância como mercado para empresas que estão enfrentando um ambiente comercial mais complicado nos Estados Unidos.

E a IFA é praticamente uma vitrine gigante para isso.

O outro lado da história: e os dados dentro da sua casa?

É aqui que a discussão fica mais interessante para quem compra tecnologia.

Muitos dos produtos que estão sendo apresentados na IFA não são mais apenas aparelhos eletrônicos tradicionais. São robôs, câmeras, eletrodomésticos conectados, assistentes de IA e dispositivos que podem coletar informações sobre o ambiente onde estão instalados.

E quando entra dado pessoal nessa história, a origem da empresa também começa a importar.

A China possui a Lei de Inteligência Nacional de 2017, cujo artigo 7 determina que organizações e cidadãos devem, de acordo com a lei, apoiar, auxiliar e cooperar com o trabalho de inteligência nacional. A própria legislação também afirma que o trabalho de inteligência deve ser realizado de acordo com a lei e respeitando direitos e interesses legítimos.

Isso não significa que todo aparelho chinês está espionando o consumidor. Não existe base para afirmar isso.

A questão é outra: existe uma preocupação legítima sobre até onde uma empresa consegue proteger os dados de seus usuários caso receba uma solicitação das autoridades chinesas.

E isso fica ainda mais importante quando falamos de aparelhos que ficam dentro da nossa casa.

Um celular já coleta muita coisa. Agora imagine um robô que circula pela casa, possui câmera, sensores, conexão com a internet e inteligência artificial para entender o ambiente.

É por isso que privacidade deixou de ser apenas uma questão de aplicativo. Ela também está virando uma questão de hardware.

Samsung decidiu fazer diferente na IFA 2026

Enquanto as empresas chinesas ocuparam cada vez mais espaço dentro da feira, a Samsung tomou uma decisão que chamou bastante atenção.

Depois de 35 anos participando da IFA, a empresa tirou sua principal apresentação do salão da Messe Berlin e levou o Samsung CONNECT para o Humboldt Carré, no centro de Berlim.

Ou seja: a Samsung não deixou de participar da IFA. Ela simplesmente decidiu fazer sua apresentação principal em outro lugar.

E existe uma lógica interessante nisso.

Em vez de colocar um enorme estande no meio de quase 2 mil empresas e disputar a atenção de todo mundo, a Samsung passou a controlar muito mais a experiência de quem vai até seu espaço.

A própria IFA descreveu o novo formato como uma extensão da feira para o centro de Berlim, com apresentações e contato direto com profissionais, parceiros e imprensa.

Na prática, a Samsung mudou a forma de jogar.

E isso fica ainda mais interessante porque a empresa estava acostumada a ocupar uma posição enorme dentro da própria feira.

A LG fez exatamente o contrário

Se a Samsung decidiu sair do salão principal, a LG resolveu chamar ainda mais atenção dentro dele.

A empresa montou uma grande estrutura no Hall 18 da Messe Berlin e levou para a IFA sua ideia de AI Orchestra, mostrando como diferentes aparelhos podem trabalhar juntos dentro de uma casa conectada.

A instalação tem uma tela de LED de 16 por 4 metros e usa o robô CLOiD como uma espécie de maestro para demonstrar a integração entre eletrodomésticos, TVs, sistemas de climatização e robótica.

A ideia da LG é simples de entender: em vez de vender apenas uma geladeira inteligente ou uma máquina de lavar com IA, a empresa quer vender uma casa inteira funcionando como um sistema conectado.

E isso é importante porque mostra como a disputa está mudando.

A tecnologia chinesa está ocupando cada vez mais espaço, mas Samsung e LG não estão simplesmente assistindo.

Cada uma está tentando responder de um jeito diferente.

E a AMD quer levar a IA para dentro do computador

A AMD também aproveitou o momento para mostrar outra parte dessa transformação: a inteligência artificial não precisa ficar presa à nuvem.

A empresa apresentou sua nova geração de processadores Ryzen AI Max PRO 400, que, segundo a AMD, é capaz de rodar localmente modelos com até 300 bilhões de parâmetros em determinadas condições. A plataforma também pode chegar a 192 GB de memória unificada e 160 GB de VRAM.

Na prática, isso significa tentar fazer com que computadores tenham cada vez mais capacidade para executar tarefas de IA sem precisar mandar tudo para um servidor distante.

E isso tem uma vantagem que vai além da velocidade.

Quanto mais coisa puder ser processada localmente, menos dados precisam sair do aparelho.

Não significa que a privacidade está automaticamente resolvida, mas é uma direção interessante para uma indústria que está colocando IA em praticamente tudo.

A China está realmente dominando a tecnologia?

Aqui eu acho que vale separar duas coisas.

Na IFA, a presença chinesa é enorme. Isso é fato.

Mas isso não significa que as empresas chinesas já dominaram toda a indústria de tecnologia.

Samsung continua sendo uma potência gigantesca em TVs e eletrônicos. LG continua tendo uma presença enorme em televisores, eletrodomésticos e telas. AMD continua brigando diretamente com gigantes americanas no mercado de processadores e IA.

Ao mesmo tempo, marcas chinesas como Xiaomi, TCL, Hisense, Haier, Midea e tantas outras já não podem ser tratadas como empresas que simplesmente fabricam produtos baratos para competir por preço.

Elas estão criando ecossistemas completos.

A Xiaomi, por exemplo, levou para a IFA justamente essa ideia de integração entre celular, casa e carro, com centenas de produtos dentro do mesmo ecossistema.

É aí que está a mudança que talvez seja mais importante.

A China não está apenas vendendo mais aparelhos. Está tentando vender uma forma diferente de viver dentro de um ecossistema de tecnologia.

Na prática

Pela nossa leitura aqui no UpGiga, o domínio chinês na IFA 2026 não aconteceu por acaso.

Existe uma indústria chinesa que melhorou muito nos últimos anos, passou a fabricar produtos cada vez mais sofisticados e agora quer disputar diretamente o consumidor europeu.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos estão colocando novas barreiras para determinados produtos chineses, enquanto a Europa continua sendo um mercado enorme para celulares, TVs, eletrodomésticos, robôs e tecnologia para casa.

E a IFA mostrou isso de um jeito muito fácil de enxergar.

Quase metade dos expositores é chinesa.

Enquanto isso, a Samsung decidiu mudar completamente sua estratégia dentro da feira, a LG apostou em uma casa inteira conectada por IA e a AMD mostrou que também quer levar modelos gigantes de inteligência artificial para dentro dos próprios computadores.

Para quem compra tecnologia, isso muda bastante coisa.

Não basta mais olhar apenas para preço, processador, câmera ou quantidade de funções.

Quando uma geladeira, uma TV ou um robô começa a coletar dados dentro da sua casa, também vale perguntar quem fabrica aquele aparelho, onde os dados são processados e quais regras de proteção de dados estão envolvidas.

A China está ocupando cada vez mais espaço na tecnologia mundial. A questão agora é descobrir até onde esse avanço vai chegar — e como Samsung, LG, AMD e outras gigantes vão responder.

Fica de olho no UpGiga pra não perder as próximas notícias de tecnologia, jogos e comparações.

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