Apple troca de comando depois de 15 anos: o que muda com a saída de Tim Cook
A Apple entrou numa nova era. Tim Cook deixou o cargo de CEO no dia 1º de setembro, depois de 15 anos no comando, e John Ternus, até então chefe de engenharia de hardware da empresa, assumiu o posto. É a segunda troca de comando na história recente da Apple, depois da saída de Steve Jobs em 2011.
Como Tim Cook chegou até aqui
Cook assumiu a Apple em agosto de 2011, seis semanas antes da morte de Steve Jobs, num momento em que analista de mercado duvidava se a empresa sobreviveria sem o fundador. Não sobreviveu só: cresceu de um jeito que ninguém esperava.
O lado bom da passagem de Tim Cook
Os números falam por si. O valor de mercado da Apple saiu de cerca de 300 bilhões de dólares pra 4,7 trilhões, um crescimento de mais de 13 vezes. A Apple foi a primeira empresa de capital aberto dos Estados Unidos a bater 1 trilhão de dólares em valor de mercado, e a ação da empresa valorizou por volta de 2.280% durante o mandato de Cook, contra cerca de 555% do índice S&P 500 no mesmo período.
A receita anual quase quadruplicou, passando de 400 bilhões de dólares no último ano fiscal. Boa parte disso veio de um negócio que praticamente não existia antes de Cook: a área de serviços e assinatura, que sozinha faturou mais de 109 bilhões de dólares no último ano, hoje a segunda maior fonte de receita da empresa. Também foi na gestão de Cook que nasceram o Apple Watch, o Apple Pay, o AirPods e o Apple TV+.
O lado não tão bom
A crítica mais repetida é que a Apple nunca criou um “sucessor do iPhone”, um produto novo capaz de assumir o posto de principal motor de crescimento da empresa. O Vision Pro, o headset de realidade mista lançado como uma das poucas apostas em categoria nova dos últimos anos, não vendeu no nível que a empresa esperava, e já teve corte de gente e reorganização interna. A Apple também abandonou o projeto do carro elétrico depois de anos de investimento.
Outro ponto de crítica constante é o atraso da Apple na corrida de inteligência artificial. A empresa prometeu uma versão bem mais avançada da Siri ainda em 2024, e o lançamento segue atrasado, enquanto concorrente como Google, Microsoft e OpenAI avançam mais rápido nesse território.
Os desafios que esperam o novo CEO
John Ternus assume com um perfil diferente do antecessor. Enquanto Cook tinha reputação de especialista em operação e cadeia de fornecimento, Ternus é conhecido como “pessoa de produto”, o que gera expectativa de que a Apple volte a lançar algo mais ousado.
O mercado financeiro deve avaliar Ternus principalmente pelo avanço em inteligência artificial, não por execução de hardware, já que essa nunca foi a maior fraqueza da Apple. Também é esperada mais troca de executivo abaixo dele nos próximos meses, seguindo o movimento que já começou com a saída de Phil Schiller ao mesmo tempo que Cook.
A primeira aparição pública de Ternus como CEO será dia 9 de setembro, no evento batizado de “Surprise and Shine”, onde a Apple deve revelar o iPhone 18 Pro e o primeiro iPhone dobrável da história da empresa.
Vai afetar a Apple?
Difícil saber com certeza tão cedo. Cook segue na empresa como presidente do conselho, o que mantém sua influência estratégica mesmo fora do dia a dia. E a mudança de comando acontece bem na semana anterior ao maior evento de produto do ano, o que aumenta a pressão sobre a estreia de Ternus. Se a nova gestão vai conseguir fechar a diferença que a Apple tem em inteligência artificial, ou lançar aquele produto que reduza a dependência do iPhone, só o tempo mostra.
Na prática
Pela nossa leitura aqui no Upgiga, essa troca chega no momento certo pra Apple mostrar se ainda tem fôlego pra inovar de verdade, ou se vai continuar vivendo da força do iPhone e da área de serviços. Se você está pensando em atualizar seu iPhone atual, o iPhone 17 Pro segue sendo a opção mais recente já disponível enquanto a nova linha não chega às lojas.
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