Notícias

YouTube oferece fortuna pra criador ficar longe da Netflix, e enquanto isso a Bilibili avança sobre o Brasil

O YouTube está oferecendo milhões de dólares pra manter seus maiores criadores longe da Netflix, segundo apuração da Bloomberg. E quem decidir postar nos dois ao mesmo tempo vai sentir o peso da mão: menos espaço em campanha de marketing, menos convite pra evento, e corte na fatia de receita de grandes contratos de marca.

Por que o YouTube está reagindo agora

A Netflix vem fechando acordo com dezenas de youtubers de peso, pagando pra esses criadores publicarem o mesmo vídeo nas duas plataformas ao mesmo tempo. Já assinaram esse tipo de contrato nomes como Alan Chikin Chow e Nick DiGiovanni, e a Netflix segue negociando com outros canais e programas, incluindo o talk show Hot Ones.

O caso mais chamativo é o de Ms. Rachel, criadora de conteúdo infantil. Os vídeos dela, que continuam disponíveis gratuitamente no YouTube, acumularam 37 milhões de visualizações na Netflix apenas no primeiro semestre de 2026. Isso mostra que a Netflix consegue levar para dentro da própria plataforma uma audiência que já foi construída no YouTube, sem precisar criar esse tipo de conteúdo do zero.

A vantagem da Netflix é a estratégia toda: em vez de brigar pra construir um criador desconhecido do zero, ela paga pra usar a audiência que o próprio YouTube já formou ao longo de anos, e ainda expõe aquele conteúdo pra mais de 325 milhões de assinantes que talvez nunca tivessem visto aquele canal antes.

A resposta do YouTube: fortuna pra quem aceitar exclusividade

O CEO Neal Mohan e sua equipe decidiram que o fluxo de criadores publicando ao mesmo tempo nas duas plataformas virou um problema real. A oferta do YouTube funciona em duas frentes: financiamento direto pra produção de programa, ou uma fatia de contrato publicitário com marca grande, em troca do criador manter o conteúdo exclusivo por um período determinado.

Nenhum acordo foi fechado até agora, mas as conversas já estão avançadas com vários criadores. E o motivo de resistir à Netflix não é só lealdade: a plataforma exige entregar o vídeo com dias de antecedência e pede pra tirar patrocínio de marca do conteúdo, o que reduz o ganho do criador com aquele vídeo específico.

O YouTube também rebate a ideia de que trata mal quem cria conteúdo pra plataforma. A empresa afirma já ter pago mais de 70 bilhões de dólares a criador ao longo de três anos, valor que usa como argumento sempre que alguém sugere que a Netflix paga melhor ou trata o criador com mais respeito.

Enquanto os gigantes brigam, a Bilibili mira o Brasil

Essa disputa toda é pelo criador americano de maior alcance. A Bilibili, plataforma chinesa que a gente já mostrou que está investindo pesado numa expansão global, parece estar de olho num pedaço diferente do mapa.

São Paulo está entre as cidades onde a empresa está contratando equipe para essa expansão. E faz sentido do ponto de vista financeiro anunciar pra público brasileiro custa visivelmente menos do que em mercados maduros como os Estados Unidos, mesmo sem um número exato de comparação direta entre os dois países. Isso não é declaração oficial da Bilibili, é leitura nossa aqui do Upgiga, mas ajuda a entender por que investir pesado num mercado emergente como o brasileiro pode compensar, mesmo com menos gente pagando assinatura cara.

Na prática

Pela nossa análise aqui no Upgiga, o YouTube está certo em se preocupar, mas talvez esteja de olho na ameaça errada. Enquanto gasta munição pesada tentando segurar criador americano de topo pra não ir pra Netflix, outra concorrente vem crescendo por uma porta lateral, mirando público e mercado que nenhuma das duas gigantes está disputando com a mesma força agora. A fatia do YouTube ainda é gigante, mas gigante demais pra vigiar só uma frente de cada vez.

Fica de olho no Upgiga pra não perder as próximas notícias de tecnologia, jogos e comparações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *